Se você tem seguido o escândalo de grampos telefônicos do News of the World, sabe que o tabloide britânico vem sendo acusado de grampear linhas telefônicas de mais de 4.000 pessoas, dentre elas celebridades, astros do esporte, políticos e vítimas de crimes. Através de uma extensa rede secreta de investigação foram publicados furos jornalísticos exclusivos, o que não tardou a chamar a atenção das autoridades e consequentemente causar o seu fechamento em julho deste ano. Desde que descoberto, o incidente gerou um debate internacional sobre ética jornalística e a eventual necessidade de uma regulação de mídia.
A novidade sobre o desenrolar do caso perante a justiça britânica foi a mudança de estratégia de James Murdoch, CEO e co-fundador da empresa. Saindo do “não vi nada, não ouvi nada e não falei nada” (algo como Lula durante o mensalão), Murdoch se viu obrigado, diante das evidências, a admitir que recebeu o e-mail relatando-o sobre os grampos telefônicos. E a ênfase aqui vai para o recebeu – aparentemente, como o email foi recebido e lido no seu Blackberry, Murdoch não leu o email inteiro.
Oras, isso já aconteceu com muita gente: às vezes você recebe um email, mas, com pouco sinal, não consegue baixar o resto da mensagem. Veja o que disse Murdoch: “Considerando a rapidez de minha resposta, apenas dois minutos após o Sr. Myler ter enviado seu e-mail para mim, e dado o fato de que eu normalmente recebia e-mails no meu BlackBerry nos fins de semana, estou confiante de que eu não acompanhei toda a sequência do e-mail naquela hora ou mesmo depois, e tampouco me lembro de uma conversa com o Sr. Myler durante aquele fim de semana.”
O que vocês acham? Uma Blackberry defence convenceria?










